sábado, 2 de maio de 2009

Plágio na Veja?

É o que afirma reportagem do Comunique-se. Abaixo.

PS: apesar de condenável, acho que a reportagem do Comunique-se pegou um pouco pesado nas "aspas" da reporter da Veja. Foram literais demais. Poderiam ter editado para não ficar parecendo que a reporter não sabe nem falar direito.

http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D51895%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D2037709881%26fnt%3Dfntnl

Veja copia partes de matéria do Wall Street Journal sem citar fonte

Da Redação

A reportagem de capa da edição de 22/04 da revista Veja traz uma matéria coordenada muito parecida com um artigo, publicado quase um mês antes, pelo jornal americano The Wall Street Journal (WSJ). Tanto a estrutura como trechos do texto são idênticos. Questionada pelo Comunique-se, a repórter Gabriela Carelli negou a ocorrência de plágio.

“A gente falou com os pesquisadores, a gente fez a nossa própria apuração. A notícia é a mesma, a pesquisa é a mesma. Podem ter ficado parecidas. Foram três meses fazendo a matéria, ouvi 50 mil fontes, o box foi fechado de última hora. Não houve a intenção de fazer mal a ninguém”, explica.

A matéria em questão foi publicada num box com o título de “Genes no combate ao crime”. Ela trata da utilização de traços genéticos na elucidação de crimes, mesmo tema do artigo “Descrevendo um ladrão: genes traçam aparência de suspeitos”, publicado pelo WSJ em 27/03.

As similaridades foram percebidas pelo leitor Edgar Zanella Alvarenga, que publicou num blog uma troca de e-mails com a Veja. Nas mensagens, a revista dá a mesma explicação que foi dada ao Comunique-se, de que as informações estão disponíveis no site da universidade.

Dentre os trechos “parecidos”, existe uma declaração que, no texto da Veja, aparentemente teria sido dada pela pesquisadora da Universidade da Pensilvânia Pamela Sankar.

“‘Há uma perigosa tendência a fazer correlações entre etnia, crime e predisposição genética’, alerta Pamela Sankar”, diz a matéria da Veja.

Fonte nega ter sido procurada
Questionada pelo Comunique-se, a pesquisadora negou ter sido procurada pela Veja. Ela afirma que as informações publicadas pela revista foram baseadas em entrevista dada a um repórter do WSJ. No jornal americano existe a seguinte passagem: “Algumas pessoas podem fazer correlações entre raça, crime e disposição genética”.

Além da não citação da fonte, a reportagem da Veja traz um erro. No jornal americano essa declaração foi atribuída ao pesquisador da Universidade de Tilburg, na Holanda, Bert-Jaap Koops.

A repórter da Veja reconhece não ter procurado a pesquisadora e, como justificativa, diz que tal procedimento é usual na revista.

“Fulano fala tal coisa, eu não tô dizendo que ele disse a mim. Quando fala pra gente, a gente coloca: disse à Veja. Às vezes a gente pode pegar, isso não é um plágio”, explica.

Apijor: "moralmente condenável"
Para o diretor da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais (Apijor) Frederico Ghedini, a determinação do que é ou não plágio no jornalismo é subjetiva. Diferente de outras manifestações, como a música, onde a cópia é definida pelo número de compassos iguais em sequência, o texto jornalístico depende da intenção de quem copia.

“No texto não tem esse tamanho. Mas mesmo que você não classifique, dá para saber quando é feito com a intenção de enganar o leitor, de se fazer passar pelo que você não é. Agora, mesmo que não configure crime de direito autoral, é moralmente condenável utilizar qualquer citação sem informar a fonte”, explica.

Seguem algumas passagens parecidas das duas matérias (os textos do WSJ estão em inglês para evitar possíveis desvios de tradução):

WSJ: “In 2004, police caught a Louisiana serial killer who eyewitnesses had suggested was white, but whose crime-scene DNA suggested -- correctly -- that he was black”.

Veja: “Pelos relatos de testemunhas, ele seria branco. No entanto, as amostras de DNA coletadas pelos investigadores diziam – corretamente – que era negro”.

***

WSJ: “They have found six genes that seem to influence such traits. (…) Prof. Shriver hopes to create a modern-day version of the police artist sketch”.

Veja: “Os pesquisadores encontraram seis genes relacionados às feições que podem ajudar a elaborar os retratos falados de criminosos”.

***

WSJ: “In 2007, a DNA test based on 34 genetic biomarkers developed by Christopher Phillips, a forensic geneticist at the University of Santiago de Compostelo in Spain, indicated that one of the suspects associated with the Madrid bombings was of North African origin. His body was mostly destroyed in an explosion. Using other clues, police later confirmed he had been an Algerian, thereby validating the test results”.

Veja: “Há dois anos, a polícia espanhola usou a mesma tecnologia para encontrar o suspeito dos atentados terroristas que destruíram uma estação de trem em Madri, em 2004. O teste genético feito nas amostras de DNA indicou que um dos participantes seria natural do norte da África. Outras provas validaram o resultado: ele era argelino”.

sexta-feira, 13 de março de 2009

As principais capas do mundo

Para quem quer saber o que diz a edição do dia do NYT, Washington Post etc: http://rayogram.com/news/

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O furo que virou barriga

A reportagem sobre Paula Oliveira, a advogada "atacada" por skinheads, era até pouco tempo atrás um furo do Noblat. No Comunique-se, ele explicou como o furo virou barriga (notícia falsa).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Suíte da briga no Bob's


A briga do Bob's abre espaço para explicar um termo muito usado pelos jornalistas, a "suíte". Na definição da Folha:

suíte - Do francês suite, isto é, série, sequência. Em jornalismo, designa a reportagem que explora os desdobramentos de um fato que foi notícia na edição anterior. Na Folha, toda suíte deve rememorar os fatos anteriormente divulgados. Veja contextualizar.

A briga da lanchonte (post anterior), por exemplo, ganhou uma suíte, com direito a chamada de capa (para azar dos assessores de imprensa do TRF e do Bob's).



Como um fato corriqueiro vira crise de mídia

Por um sanduiche errado (deve custar uns R$ 6,00), um servidor do Tribunal Regional Federal (TRF) brigou com um funcionário do Bob's. Para azar de ambos, havia um cinegrafista que filmou a confusão e foi parar no SPTV.

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL853984-5605,00-HOMEM+QUE+BRIGOU+EM+LANCHONETE+DE+SP+DIZ+QUE+FOI+AGREDIDO+ANTES.html

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Jornalista relata pânico de entrevistar famosos

O livro é interessante, e a Folha divulgou um trecho muito bom no site

http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u434843.shtml

LIVRARIA: Repórter conta como controlou o pânico ao entrevistar Madonna

da Folha Online

Reprodução
Livro conta aventuras de uma repórter da "Rolling Stones" entre as celebridades
Repórter americana abre o jogo sobre os bastidores de seus encontros com famosos

A repórter americana Jancee Dunn aprendeu lições importantes sobre como controlar o pânico diante de pessoas famosas no dia em que entrevistou Madonna.

Correspondente da revista norte-americana "Rolling Stone", a jornalista narra os bastidores de seus encontros com celebridades no livro "Chega de Falar de Mim...", da Panda Books, disponível na Livraria da Folha.

Leia abaixo o relato da repórter sobre seu encontro com Madonna.

Confira outros títulos da Panda Books no catálogo da Livraria da Folha.

*

Como controlar o pânico ao entrevistar alguém absurdamente famoso

Entrei no saguão, que tinha uma foto imensa dos olhos da Madonna na parede. Todos os homens no escritório estavam na última moda; as mulheres nem tanto. O recepcionista me pediu para sentar. Na minha cabeça, eu repassava as perguntas que tinha memorizado. Se você fica consultando uma lista de perguntas, acaba por quebrar o ritmo, e a conversa perde a naturalidade. A gente deseja ao menos criar a ilusão de que a entrevista é um bate-papo descontraído entre dois amigos.

Apesar disso, eu tinha de me lembrar que começaria a entrevista com perguntas sobre seu disco. Sempre, sempre formule as perguntas considerando os projetos do entrevistado, que são a razão pela qual ele está dando a entrevista. Se as perguntas não são apresentadas aberta e honestamente, o entrevistado ficará visivelmente irritado.

Uma secretária rompeu meu transe.

- Ooooooiiiii - disse ela. - A Madonna está pronta para atendê-la.

Perdi o fôlego, mas a segui pelo corredor, furtivamente secando as mãos nas mangas. Se pelo menos eu estivesse nos anos 1950 e pudesse usar luvas...O que foi que o editor me disse? Nada de papo-furado. Vá direto ao ponto. Dá para entender. Por que se preocupar com o blablablá? Nós duas tínhamos mais o que fazer.

Entramos no escritório, e - ai, meu Deus! - lá estava ela. Provavelmente eu já vira aquele rosto mais vezes do que o meu. Ela fareja o medo! Como um cão, fareja o medo! Cão! Medo! Farejando o medo! Corra, corra, corra! Apertei a mão dela e a olhei nos olhos. Naquele ponto, estava tão aterrorizada que meu organismo inverteu suas inclinações naturais e minhas mãos ficaram absolutamente secas.

- Olá - disse-me ela. Cordial, mas totalmente profissional. Como sempre ocorre com todos os famosos, à exceção de Clint Eastwood e Uma Thurman, achei-a menor pessoalmente: menos de um metro e sessenta. E, à época, grávida do pequeno Rocco. Era estranho vê-la com aquele barrigão, pois, embora fosse uma das mulheres mais fotografadas do mundo, quase não existiam fotos dela grávida, e com certeza esse fato não se tratava de coincidência. Bem, se ela não se parecia com a imagem que eu tinha dela, quase podia fingir que falava com outra pessoa. Isso aquietou meu desespero interior, de alguma maneira.

Hora de mostrar que eu não estava com medo. Tomar fôlego.

- Acabei de ler uma entrevista em que você reclama de ter espinhas depois de adulta - disse eu, rastreando o rosto dela.

- Qualé?! Você diz isso só para fazer a gente se sentir melhor.

Ousado, ou mesmo exagerado! Percebi um leve sorriso. Bom. Então, me aprumei para lançar a pergunta "te peguei": me lembrava de que anos atrás ela queria indicar como roteiro de um filme o livro The Passion, de Jeanette Winterston, que eu também tinha adorado. Que fim essa história tinha tido? Assim que eu fiz a pergunta, ela ganhou vida, me dizendo que escrevera uma carta à autora, mas que nunca obtivera resposta, o que a deixara muito decepcionada. Só então emendei as perguntas sobre o novo álbum, à medida que ela, lenta e cuidadosamente, se acomodava na cadeira.

Eu a estava achando estranhamente vulnerável, e um pouco menos assustadora do que seria na época do livro Sex. Em determinado momento, uma seqüência maluca de todos os vídeos, filmes e eventos da vida dela percorreram espontaneamente minha mente num flash - lembra aquele clip em que ela era ruiva? Qual era mesmo? "Fever", certo! -, e, com um esforço hercúleo, fui me livrando das imagens. Lá se foram mais quatro perguntas. Bom. Bom. Aí, aconteceu: enquanto ela falava, percebi que não conseguia me lembrar da próxima pergunta. Minhas anotações estavam no carro, e quando ela acabou de falar sobre como sua busca espiritual havia influenciado o álbum, estávamos prestes a ficar olhando uma para a outra no mais horripilante silêncio.

"Vai com calma", disse a mim mesma. "Solte umas perguntinhas leves que geralmente você guarda para emergências, quando os entrevistados não param mais de olhar para o relógio." Em geral, se for a primeira vez que as celebridades ouvem tais perguntas, elas gostam de respondê-las, e você consegue evitar a indesejável resposta ensaiada. Ninguém quer responder pela milionésima vez sobre suas influências musicais, ou sobre como o álbum mais novo difere do anterior. Em vez disso: No que você pensa antes de adormecer? Quando você passou a ver seus pais de outra maneira? Que cheiro o faz voltar à infância? O que seus amigos fazem para irritá-lo? Quando foi a última vez que você se sentiu realmente contente?

Eu lancei uma das boas (Qual foi seu pior trabalho na época do colégio?) para ganhar algum tempo até que a outra pergunta voltasse à minha mente. Ela respondeu sem pestanejar que era fazer faxina, que era nojento, tinha de limpar privadas dos garotos que freqüentavam a mesma escola que ela. A partir daí fui levando a entrevista com mais algumas perguntas sobre o álbum. Quando o fim da entrevista começava a despontar, tentei provocar com uma das velhas perguntas que eu e todas as minhas amigas sempre quisemos fazer: Qual foi o último filme que você alugou? (Na época, tinha sido o último filme da série Sexta-Feira, de Ice Cube, porque era a vez de Guy, o marido, escolher.) Você cozinha em casa? Não, mas ajudava Guy, acrescentando "acessórios" nas saladas.

- Acessórios? - pergunto, espantada. - De que tipo, cinto e luvas? - Olha, a Madonna está rindo!

Mudamos o assunto para a gravidez. Ela disse, consternada, que o médico lhe proibira de fazer ginástica, e que não poderia sair, ou usar roupas legais, ou dançar, e ela se sentia uma "vaca domesticada". Eu acenei com a cabeça, demonstrando minha solidariedade, fingindo ser a amiga e confidente, como ela fizera com Sandra Bernhard, em Na Cama com Madonna, quando a atriz dissera que não havia mais ninguém para sair com ela, porque já tinha saído com todo mundo. Inclinei-me e lhe perguntei algo que sempre tive curiosidade de saber: Alguma vez na vida ela já havia se sentido insegura? Ela raramente expressava qualquer tipo de vulnerabilidade.

- Eu me sinto insegura a cada cinco minutos - disparou. - Do que você está falando? - Ela confessou que, na situação de gravidez em que se encontrava, entrava em pânico apenas ao olhar para o espelho.

Eu pressionei, porque queria saber como ela se sentia antes de estar grávida. Digamos, quando encontrava uma foto de uma ex do namorado. Ela fazia comentários maldosos? Ela respondeu que passava por todo um processo:

- Primeiro, eu digo: "Nossa, ela é magra e bonita" - riu. - Em seguida, penso: "Ah, mas eu sou eu".

Que Deus a proteja! Houve uma leve batida na porta. Era a relações-públicas. Eu me lembrei de que havia algo mais que tinha de fazer. Minha amiga Susan, que trabalhava com decoração, tinha me pedido um relatório completo sobre o banheiro da Madonna. Eu não podia decepcioná-la. Além disso, também queria saber como era lá dentro. Dei uma olhada ao redor. Nenhum banheiro. Devia ficar do lado de fora. Outra batida na porta. Era minha deixa.

- Muitíssimo obrigada - respondi, juntando minhas coisas rapidamente e retribuindo o aperto de mão firme da estrela. Seja breve, sorria, não fique tagarelando. E nada de fotos ou autógrafos - você nunca deve pedir essas coisas como cortesia profissional. Pelo menos finja que estão no mesmo nível.

- Posso usar a toalete? - perguntei à assistente, apontando para a porta perto do escritório, onde se lia "WC". Entrei como um furacão e abri a torneira, enquanto fazia um inventário do local. Um vidro de perfume Fracas, anotado. Um tipo de spray facial que você compra na loja de produtos naturais, água com essência de gerânio, da Tree of Life. Algum tipo de leitura? O Livro de Bolso do Hipocondríaco. Huummmm. Interessante. Loção facial La Mer. Anotado, anotado e anotado.

A assistente me esperava para me acompanhar até a recepção.

Caminhei a passos largos, triunfante.

- O que você achou? Ela não é o máximo? - a assistente perguntou.

- O que você achou dela? - perguntou o recepcionista. - Totalmente demais, não é?

- É mesmo - respondi, tentando, sem conseguir, não parecer uma fã inveterada. - Ela é divertida, mas tem um lado doce, também. E não deu respostas programadas, realmente pensou para responder.

- Nesse momento, meus joelhos começaram a tremer. - Posso me sentar um pouco? - perguntei. - Parece que vou desmaiar. - A assistente concordou com a cabeça.

- Acontece às vezes - disse o recepcionista. - Acho que vou pegar uns sais aromáticos e deixar por aqui.

Momentos depois, conforme eu tropeçava em direção ao carro, o ciclo se completava. Tudo sempre terminava comigo na marcha da vitória, com o seguinte pensamento: "Eu tenho o melhor trabalho do mundo".

A euforia durou precisamente o tempo de escrever a matéria. E foi alarmante descobrir que o Calms funcionava perfeitamente com a maioria dos astros, mas não com os cinco estrelas. O motorista me olhou pelo retrovisor e perguntou:

- Prefere monan ou fleen?

Eu fingi que pensava por um momento, e então respondi:

- Vamos tentar o fleen - sem ter a menor idéia do que isso significava.

*

"Chega de Falar de Mim...".
Autora: Jancee Dunn
Editora: Panda Books
Páginas: 296
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 e na Livraria da Folha.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Repórter faz promotor "engolir a fita"

A expressão "engolir a fita" é usada nas situações em que o entrevistado tenta desmentir o jornalista, negando suas afirmações publicadas.
Antes de enviar uma carta à redação do jornal negando o conteúdo publicado, muitos assessores de imprensa confirmam (várias vezes) com o entrevistado "injustiçado" se: 1. o que saiu foi mesmo dito; 2. se a entrevista foi gravada.
É comum o entrevistado mentir para o assessor (não se pode afirmar que é o aconteceu neste caso), por pressão do superior, amigos e colegas de trabalho - sem deixar de lado o esquecimento mesmo. É o famoso "eu jamais diria isso!".
O jornalista, quando é precavido e grava suas entrevistas, tem seu momento de fazer o entrevistado "engolir a fita".

Abaixo, a carta publicada na Folha em 29/10/08

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2910200810.htm

Seqüestro
"É completamente falsa a notícia de que o Gate não teria autorização do governo do Estado ou da Secretaria da Segurança Pública para tomar qualquer decisão durante o seqüestro da menina Eloá ("Governo não autorizou tiro em Lindemberg", Cotidiano). Durante este e outros casos de seqüestro, o Gate dispõe de autonomia para tomar as decisões que considerar mais adequadas a cada momento. É fato que a Secretaria da Segurança se mantém informada sobre as principais ações no âmbito da pasta no Estado, porém as decisões de cada situação local são tomadas pelo oficial que, a cada momento, exerce a função de gerente da crise. Portanto, não tem base a versão de que um suposto "gabinete de crise", do qual esta secretaria e o comando da PM fariam parte, teria negado autorização para realizar um "tiro de neutralização". Tal versão é totalmente equivocada e sem sentido, pois as decisões nessas ações precisam ser tomadas imediatamente diante da oportunidade e conveniência técnica."
ENIO LUCCIOLA , assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (São Paulo, SP)

"Em relação à reportagem "Governo não autorizou tiro em Lindemberg" (Cotidiano, ontem), esclareço que em nenhum momento eu afirmei que os integrantes do Grupo de Ações Táticas Especiais não tinham autorização do "gabinete de crise" e de seus superiores para realizarem o tiro de neutralização contra Lindemberg Fernandes Alves, responsável pelo recente seqüestro em Santo André. Jamais utilizei a expressão "gabinete de crise", referindo-me, na entrevista concedida ao jornal "Agora" e reproduzida pela Folha, sempre a "superiores" ou ao "gerente de crise", no caso o coronel De Pieri, que comandou a operação da Polícia Militar no local. A expressão "gabinete de crise", inclusive, não consta de nenhum trecho do depoimento citado na reportagem. Lamento que o jornal tenha se valido indevidamente de uma expressão não utilizada na entrevista para fazer ilações absolutamente divorciadas da verdade dos fatos."
ANTONIO NOBRE FOLGADO , promotor de Justiça (São Paulo, SP)

Nota da Redação
- Em entrevista gravada, ao ser questionado pela repórter se o gabinete de crise tinha autorizado a invasão, o promotor respondeu: "Não. O tiro dependia de ordem superior; a invasão não".