quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A maior "barriga" da imprensa esportiva, na visão do Comunique-se

Barriga é uma notícia falsa, dada como verdadeira.

Do comunique-se:
http://portal.comunique-se.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=68088:caso-ronaldo-na-copa-de-98-foi-a-maior-barriga-da-imprensa-esportiva-avaliam-jornalistas&catid=3:imprensa-a-comunicacao-&Itemid=20

“Caso Ronaldo” na Copa de 98 foi a maior “barriga” da imprensa esportiva, avaliam jornalistas

A cobertura sobre a participação do atacante Ronaldo na final da Copa do Mundo de 1998, contra a França, foi considerada a maior “barriga” da imprensa esportiva do Brasil pelos apresentadores do ‘Jornal Gente’, transmitido pela Rádio Bandeirantes. O assunto foi comentado na edição desta quarta-feira, 29, do programa.

ronaldo_98O jornalista José Paulo de Andrade foi o primeiro a citar o episódio – que foi marcado pela convulsão de Ronaldo (foto) antes do confronto que poderia, na época, dar o pentacampeonato à seleção brasileira. “O Ronaldinho foi ao hospital um dia antes do jogo e ninguém ficou sabendo”, disse o comunicador. O correspondente da rádio em Paris, Milton Blay, e o apresentador Rafael Colombo concordaram com a opinião de Andrade.

A respeito do tema, o Comunique-se perguntou em seu perfil no Twitter, no qual possui mais de 56 mil seguidores, se os internautas concordavam com a afirmação dos jornalistas da Rádio Bandeirantes.  O seguidor @Ferhto afirmou que a análise dos profissionais do ‘Jornal Gente’ está correta. Ele chegou a citar que o narrador da TV Globo, Galvão Bueno, tem a mesma opinião.

“Qual foi a maior ‘barriga’ da imprensa esportiva brasileira?”. Essa foi a pergunta que o C-SE publicou na ‘time line’ de sua Fan Page. O web-repórter da Rede TV, Alisson Freitas, relembrou de um caso envolvendo o Palmeiras e três ‘barrigas’ relacionadas ao Corinthians. “Ronaldo, no Palmeiras. Zamorano, Vagner Love, Riquelme e Zidane, no Corinthians”, respondeu. No caso de Love, o jogador, atualmente no plantel do Flamengo, chegou a vestir a camisa do alvinegro paulista, que não acertou a sua contratação.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A pior entrevista do mundo, na visão de TJ Walker

TJ Walker é uma das maiores autoridades em assessoria de imprensa no mundo. Vale a pena ler a sua impressão e análise da entrevista de Lars Von Trier, quando ele se declarou nazista


sexta-feira, 1 de abril de 2011

entrevista em radio - dicas de TJ Walker

para quem for dar entrevista em radio, essas dicas sao de um dos melhores especialistas em PR, TJ Walker.


When you are going to be a guest on a radio news program always try to go to the studio to do the interview - even if you are given the option of doing the interview by phone (obviously I'm not talking about flying across the country for a 5 minute interview, but when the show is based in your town). There are several distinct advantages to doing the interview in the studio.

  1. Your audio quality will be much better. You will now sound as good as the host.
  2. You don't have to worry about being disconnected.
  3. You can see your host and pick up on all of his/her non-verbal signs of communication.
  4. Your smile, your pizzazz and whatever charm you have will come through more to the host and producer in-person.
  5. You'll get more airtime, usually. If you come all the way down to someone's studio, most producers and hosts feel obligated to give you more time. It seems embarrassing to throw you out after only 5 minutes.
  6. It will be much harder for your host to be confrontational or ask nasty questions if you are sitting a few feet away. (This applies to TV interviews as well.) No matter how hard-bitten a journalist may be, it's simply harder to be antagonistic to someone sitting across from you versus someone who is a safe distance away and the only connection is a phone line.
  7. Relationships will develop better at the studio. You will have a chance to chat with the producer and sometimes the host before your interview and afterwards. You can exchange business cards and lay the groundwork for future interviews by going to the studio. If the interview is done by phone, once the interview is over you will be hung up on.
  8. In-person visits make it easier for you to leave behind giveaways such as books, t-shirts or any other promotional items you may have.

domingo, 20 de dezembro de 2009

assessoria de imprensa de artistas e músicos

A reportagem do Diógenes Campanha, da equipe da Mônica Bergamo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2012200907.htm), começa tratando de assistentes pessoais de artidas, mas aborda também a dura vida dos assessores de imprensa dos famosos. Algumas dicas valem ouro:

Babá de famoso

Letícia Moreira/Folha Imagem


Patricia Spínola no curso de assessoria: ‘Artistas têm mania de dizer que não disseram’

Guardar o sapato da celebridade, carregar a sua mala e chegar no aeroporto oito horas antes para providenciar o seu embarque. São algumas das lições ensinadas em cursos de assistente de famosos

Paulo Vieira, 34, entra na sala de reuniões de seu escritório, na Consolação, e, diante de cinco alunos que o aguardam, escreve a palavra "Ego" em uma lousa branca. Assessor de imprensa da apresentadora Luciana Gimenez, ele começou, neste ano, a dar um curso para ensinar as pessoas a serem "assistentes de celebridades": alguém com a função de "olhar tudo" para o famoso e com atribuições que incluem conferir a data de vencimento do passaporte e a validade da bateria da câmera digital do chefe.


Não muito longe dali, Patrícia Spínola, 36, que trabalhou com Chitãozinho e Xororó por dez anos e tem no currículo outros cantores e duplas sertanejas de sucesso, reúne seus 20 alunos em uma sala comercial alugada no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, para um curso de "assessoria de comunicação para artistas da música".
Um produto bastante específico, que ela diz ter formatado depois de constatar a falta de opções nas universidades. "Parece que a gente mora na França. A USP é um universo paralelo total. Só agora a Faculdade de Música, por exemplo, aceitou alguns instrumentos, como viola caipira. Eles acham que cultura é trabalhar com biblioteca e museu. O que a gente faz também é cultura."


Em comum entre os dois cursos, as "receitas"de como conviver e administrar as demandas de pessoas conhecidas e assediadas no país inteiro.


A primeira lição de Paulo Vieira é que o assistente tem que "reconhecer o próprio ego. Às vezes, o problema não está na celebridade, mas na percepção que você tem dela. Ela é uma pessoa visada e você acha mais fácil dizer que ela é o cão".
Ele escreve na lousa o nome de uma celebridade fictícia, "Morena Luz", que "pode ser atriz, cantora ou presidente de multinacional"- Luciana Gimenez nunca é citada por ele em aula.


"A Morena Luz chega em casa, tira os sapatos assim [faz o movimento de jogá-los com as mãos] e fala: 'Pega meus sapatos e guarda'. O que você faz?" "Eu digo que não sou empregado", responde o aluno Eduardo Cardoso, 24, formado em secretariado.
"Não é ela que está te colocando de empregadinha. É o seu ego. Custa pegar o sapato e guardar?", corrige Paulo. O mesmo vale para quando o famoso mandar você carregar a mala dele no aeroporto. "Você não é carregador, mas é a terceira mão dele. Custa ajudar?"


O curso, de seis meses, custa R$2.000 e inclui aulas práticas no aeroporto de Cumbica,onde Paulo leva os alunos às salas Vips das companhias aéreas e ensina que assistente bom é aquele que chega ao local oito -sim, oito-horas antes do embarque, para agilizar o check-in do chefe-celebridade.
"Se der problema com a validade do passaporte ou do visto dela, você pode tentar solucionar no posto da Polícia Federal", explica. "Se não tiver jeito,você liga e fala para ela nem sair de casa. Imagine que a 'Morena Luz' passou o dia gravando na Record e corre até o aeroporto para ser barrada no check-in. Eu demitiria quem me deixasse numa situação dessas."


Mas pecado mortal mesmo é sair contando a intimidade do patrão. "Nem precisa voltar no Dia seguinte", diz Luciana Gimenez, que incluiu cláusula de confidencialidade nos contratos dos dois profissionais que a acompanham. "O assistente não fala, não ouve e não vê", diz Paulo, citando os três macaquinhos que tapam a boca, os olhos e os ouvidos com as mãos-ele coleciona bonequinhos dos símios e tem até um porta-retrato em que ele mesmo aparece "interpretando" a cena.


Já no curso de assessoria de imprensa de Patrícia Spínola, a preocupação é evitar que o próprio famoso fale demais. Ela conta que, logo depois que um cantor, seu cliente, se separou da mulher, a repórter de uma revista de celebridades viajou com a dupla da qual ele faz parte para uma reportagem.
"Você almoça junto, convive, vai ganhando a confiança. De repente, depois do jantar, a fofa estava do lado do fofo e ele disse: 'Agora eu sou fiel'. Chamei ele de lado: 'Ô, seu louco, você acha que ela é sua amiguinha?'." Patrícia reclama que os artistas abrem a boca e, depois, "têm mania de dizer que não disseram o que disseram".
Missão mais espinhosa-e citada na aula sobre "Gerenciamento de Crise"-foi preparar a estratégia quando um a mulher foi para a televisão, em 2000, para dizer que tinha uma filha de Xororó - a menina seria"a cara da Sandy". Patrícia diz ter sido surpreendida pelo caso. "O Xororó é a pessoa mais fiel que eu conheço. Ele termina um show no Tocantins, de madrugada, e pede um avião para voltar para a sua casa, em Campinas [SP]." Como advogado do lado e laudos indicando que "ele é vasectomizado desde que o Junior nasceu", ela convocou uma coletiva, em vez de "levá-lo a um monte de programinhas da tarde". Escolheu um só, o de Jô Soares. "Conversei com a produção e eles disseram que não seria falado nada sobre isso, não era a linha do programa."


Assessora de Roberto Carlos desde 1978, Ivone Kassu acredita que "consegui preservar a vida dele integralmente, não é verdade? Ele nunca saiu da mídia e eu fiz um trabalho digno". Não que não tenha havido crises. Kassu lembra um episódio recente: a disputa judicial para proibir o livro "Roberto Carlos em Detalhes", em 2007. "A melhor coisa foi ficar quieta. Quanto mais falássemos, mais venderia o livro." A obra acabou proibida e recolhida.


Nem sempre as celebridades respeitam a "lei do silêncio". "Trabalhei com Susana Vieira quando ela voltou com o namorado, esse policial", diz Kassu, referindo-se ao então marido da atriz, Marcelo Silva. Ele havia sido detido, em dezembro de 2006, por depredar um motel. "A imprensa toda estava em cima e eu tinha que administrar. Mas não adiantou, porque a Susana quis expor mesmo."


Ivone Kassu está na "grade curricular" do curso de Patricia: ela é tema de um texto, exibido em slides de Power Point, em que é apresentada como precursora da assessoria de músicos. "Quando comecei, existia o pessoal que trabalhava em gravadora, que cuidava do contato com as rádios, mas assessoria do artista, de cuidar dele, não tinha", confirma Kassu, que,nadécadade70, inaugurou a função no "staff" de Chico Buarque, Chico Anysio, Bethânia, Simone e Gal Costa.


A diferença entre a atuação das gravadoras e o trabalho dos assessores ainda confunde alguns artistas, diz Patricia. "Eles estão tão acostumados a pagar para tocar em rádio e aparecer na TV que acham que tudo se resolve com dinheiro. A primeira coisa que fazemos é ensinar que matéria jornalística não é matéria paga. As duplas sertanejas normalmente têm investidores que já chegam pensando que podem comprar tudo. O assessor inexperiente entra nessa conversa." Alguns dos alunos de Patrícia conhecem essa estrutura. A estudante de relações públicas Luciana Dias, por exemplo, é o que se pode chamar de "fã profissional" da dupla Edson & Hudson: uma espécie de assessora que faz contato com fã-clube se participa de um esquema para que as fãs peçam as músicas no rádio. "Preciso encher plateia. E, em rádio, preciso ter pedidos reais.Por mais que paguem para tocar, a canção sai do ar se não tiver pedidos reais."As fãs recebem ajuda de custo para bancar os telefonemas.


Entre os alunos de Paulo Vieira está Marcela Camargo, 22, que gostaria de trabalhar para Patrícia Poeta, do "Fantástico". "É um exemplo de mulher moderna: bonita, inteligente, tem família, se veste bem e faz sucesso." Gláucia Mota, 22, sonha com Luciano Huck e Angélica, "um exemplinho, fofíssimos". Gláucia foi contratada por Paulo para trabalhar em seu escritório de assessoria.Já Eduardo Cardoso, que não queria ser tratado como "empregado" por famosos, foi dispensado no meio do curso. Paulo achou que ele "não tinha o perfil adequado" para a profissão.

Reportagem DIÓGENES CAMPANHA

sábado, 2 de maio de 2009

Plágio na Veja?

É o que afirma reportagem do Comunique-se. Abaixo.

PS: apesar de condenável, acho que a reportagem do Comunique-se pegou um pouco pesado nas "aspas" da reporter da Veja. Foram literais demais. Poderiam ter editado para não ficar parecendo que a reporter não sabe nem falar direito.

http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D51895%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D2037709881%26fnt%3Dfntnl

Veja copia partes de matéria do Wall Street Journal sem citar fonte

Da Redação

A reportagem de capa da edição de 22/04 da revista Veja traz uma matéria coordenada muito parecida com um artigo, publicado quase um mês antes, pelo jornal americano The Wall Street Journal (WSJ). Tanto a estrutura como trechos do texto são idênticos. Questionada pelo Comunique-se, a repórter Gabriela Carelli negou a ocorrência de plágio.

“A gente falou com os pesquisadores, a gente fez a nossa própria apuração. A notícia é a mesma, a pesquisa é a mesma. Podem ter ficado parecidas. Foram três meses fazendo a matéria, ouvi 50 mil fontes, o box foi fechado de última hora. Não houve a intenção de fazer mal a ninguém”, explica.

A matéria em questão foi publicada num box com o título de “Genes no combate ao crime”. Ela trata da utilização de traços genéticos na elucidação de crimes, mesmo tema do artigo “Descrevendo um ladrão: genes traçam aparência de suspeitos”, publicado pelo WSJ em 27/03.

As similaridades foram percebidas pelo leitor Edgar Zanella Alvarenga, que publicou num blog uma troca de e-mails com a Veja. Nas mensagens, a revista dá a mesma explicação que foi dada ao Comunique-se, de que as informações estão disponíveis no site da universidade.

Dentre os trechos “parecidos”, existe uma declaração que, no texto da Veja, aparentemente teria sido dada pela pesquisadora da Universidade da Pensilvânia Pamela Sankar.

“‘Há uma perigosa tendência a fazer correlações entre etnia, crime e predisposição genética’, alerta Pamela Sankar”, diz a matéria da Veja.

Fonte nega ter sido procurada
Questionada pelo Comunique-se, a pesquisadora negou ter sido procurada pela Veja. Ela afirma que as informações publicadas pela revista foram baseadas em entrevista dada a um repórter do WSJ. No jornal americano existe a seguinte passagem: “Algumas pessoas podem fazer correlações entre raça, crime e disposição genética”.

Além da não citação da fonte, a reportagem da Veja traz um erro. No jornal americano essa declaração foi atribuída ao pesquisador da Universidade de Tilburg, na Holanda, Bert-Jaap Koops.

A repórter da Veja reconhece não ter procurado a pesquisadora e, como justificativa, diz que tal procedimento é usual na revista.

“Fulano fala tal coisa, eu não tô dizendo que ele disse a mim. Quando fala pra gente, a gente coloca: disse à Veja. Às vezes a gente pode pegar, isso não é um plágio”, explica.

Apijor: "moralmente condenável"
Para o diretor da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais (Apijor) Frederico Ghedini, a determinação do que é ou não plágio no jornalismo é subjetiva. Diferente de outras manifestações, como a música, onde a cópia é definida pelo número de compassos iguais em sequência, o texto jornalístico depende da intenção de quem copia.

“No texto não tem esse tamanho. Mas mesmo que você não classifique, dá para saber quando é feito com a intenção de enganar o leitor, de se fazer passar pelo que você não é. Agora, mesmo que não configure crime de direito autoral, é moralmente condenável utilizar qualquer citação sem informar a fonte”, explica.

Seguem algumas passagens parecidas das duas matérias (os textos do WSJ estão em inglês para evitar possíveis desvios de tradução):

WSJ: “In 2004, police caught a Louisiana serial killer who eyewitnesses had suggested was white, but whose crime-scene DNA suggested -- correctly -- that he was black”.

Veja: “Pelos relatos de testemunhas, ele seria branco. No entanto, as amostras de DNA coletadas pelos investigadores diziam – corretamente – que era negro”.

***

WSJ: “They have found six genes that seem to influence such traits. (…) Prof. Shriver hopes to create a modern-day version of the police artist sketch”.

Veja: “Os pesquisadores encontraram seis genes relacionados às feições que podem ajudar a elaborar os retratos falados de criminosos”.

***

WSJ: “In 2007, a DNA test based on 34 genetic biomarkers developed by Christopher Phillips, a forensic geneticist at the University of Santiago de Compostelo in Spain, indicated that one of the suspects associated with the Madrid bombings was of North African origin. His body was mostly destroyed in an explosion. Using other clues, police later confirmed he had been an Algerian, thereby validating the test results”.

Veja: “Há dois anos, a polícia espanhola usou a mesma tecnologia para encontrar o suspeito dos atentados terroristas que destruíram uma estação de trem em Madri, em 2004. O teste genético feito nas amostras de DNA indicou que um dos participantes seria natural do norte da África. Outras provas validaram o resultado: ele era argelino”.

sexta-feira, 13 de março de 2009

As principais capas do mundo

Para quem quer saber o que diz a edição do dia do NYT, Washington Post etc: http://rayogram.com/news/

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O furo que virou barriga

A reportagem sobre Paula Oliveira, a advogada "atacada" por skinheads, era até pouco tempo atrás um furo do Noblat. No Comunique-se, ele explicou como o furo virou barriga (notícia falsa).

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Suíte da briga no Bob's


A briga do Bob's abre espaço para explicar um termo muito usado pelos jornalistas, a "suíte". Na definição da Folha:

suíte - Do francês suite, isto é, série, sequência. Em jornalismo, designa a reportagem que explora os desdobramentos de um fato que foi notícia na edição anterior. Na Folha, toda suíte deve rememorar os fatos anteriormente divulgados. Veja contextualizar.

A briga da lanchonte (post anterior), por exemplo, ganhou uma suíte, com direito a chamada de capa (para azar dos assessores de imprensa do TRF e do Bob's).



Como um fato corriqueiro vira crise de mídia

Por um sanduiche errado (deve custar uns R$ 6,00), um servidor do Tribunal Regional Federal (TRF) brigou com um funcionário do Bob's. Para azar de ambos, havia um cinegrafista que filmou a confusão e foi parar no SPTV.

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL853984-5605,00-HOMEM+QUE+BRIGOU+EM+LANCHONETE+DE+SP+DIZ+QUE+FOI+AGREDIDO+ANTES.html

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Jornalista relata pânico de entrevistar famosos

O livro é interessante, e a Folha divulgou um trecho muito bom no site

http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u434843.shtml

LIVRARIA: Repórter conta como controlou o pânico ao entrevistar Madonna

da Folha Online

Reprodução
Livro conta aventuras de uma repórter da "Rolling Stones" entre as celebridades
Repórter americana abre o jogo sobre os bastidores de seus encontros com famosos

A repórter americana Jancee Dunn aprendeu lições importantes sobre como controlar o pânico diante de pessoas famosas no dia em que entrevistou Madonna.

Correspondente da revista norte-americana "Rolling Stone", a jornalista narra os bastidores de seus encontros com celebridades no livro "Chega de Falar de Mim...", da Panda Books, disponível na Livraria da Folha.

Leia abaixo o relato da repórter sobre seu encontro com Madonna.

Confira outros títulos da Panda Books no catálogo da Livraria da Folha.

*

Como controlar o pânico ao entrevistar alguém absurdamente famoso

Entrei no saguão, que tinha uma foto imensa dos olhos da Madonna na parede. Todos os homens no escritório estavam na última moda; as mulheres nem tanto. O recepcionista me pediu para sentar. Na minha cabeça, eu repassava as perguntas que tinha memorizado. Se você fica consultando uma lista de perguntas, acaba por quebrar o ritmo, e a conversa perde a naturalidade. A gente deseja ao menos criar a ilusão de que a entrevista é um bate-papo descontraído entre dois amigos.

Apesar disso, eu tinha de me lembrar que começaria a entrevista com perguntas sobre seu disco. Sempre, sempre formule as perguntas considerando os projetos do entrevistado, que são a razão pela qual ele está dando a entrevista. Se as perguntas não são apresentadas aberta e honestamente, o entrevistado ficará visivelmente irritado.

Uma secretária rompeu meu transe.

- Ooooooiiiii - disse ela. - A Madonna está pronta para atendê-la.

Perdi o fôlego, mas a segui pelo corredor, furtivamente secando as mãos nas mangas. Se pelo menos eu estivesse nos anos 1950 e pudesse usar luvas...O que foi que o editor me disse? Nada de papo-furado. Vá direto ao ponto. Dá para entender. Por que se preocupar com o blablablá? Nós duas tínhamos mais o que fazer.

Entramos no escritório, e - ai, meu Deus! - lá estava ela. Provavelmente eu já vira aquele rosto mais vezes do que o meu. Ela fareja o medo! Como um cão, fareja o medo! Cão! Medo! Farejando o medo! Corra, corra, corra! Apertei a mão dela e a olhei nos olhos. Naquele ponto, estava tão aterrorizada que meu organismo inverteu suas inclinações naturais e minhas mãos ficaram absolutamente secas.

- Olá - disse-me ela. Cordial, mas totalmente profissional. Como sempre ocorre com todos os famosos, à exceção de Clint Eastwood e Uma Thurman, achei-a menor pessoalmente: menos de um metro e sessenta. E, à época, grávida do pequeno Rocco. Era estranho vê-la com aquele barrigão, pois, embora fosse uma das mulheres mais fotografadas do mundo, quase não existiam fotos dela grávida, e com certeza esse fato não se tratava de coincidência. Bem, se ela não se parecia com a imagem que eu tinha dela, quase podia fingir que falava com outra pessoa. Isso aquietou meu desespero interior, de alguma maneira.

Hora de mostrar que eu não estava com medo. Tomar fôlego.

- Acabei de ler uma entrevista em que você reclama de ter espinhas depois de adulta - disse eu, rastreando o rosto dela.

- Qualé?! Você diz isso só para fazer a gente se sentir melhor.

Ousado, ou mesmo exagerado! Percebi um leve sorriso. Bom. Então, me aprumei para lançar a pergunta "te peguei": me lembrava de que anos atrás ela queria indicar como roteiro de um filme o livro The Passion, de Jeanette Winterston, que eu também tinha adorado. Que fim essa história tinha tido? Assim que eu fiz a pergunta, ela ganhou vida, me dizendo que escrevera uma carta à autora, mas que nunca obtivera resposta, o que a deixara muito decepcionada. Só então emendei as perguntas sobre o novo álbum, à medida que ela, lenta e cuidadosamente, se acomodava na cadeira.

Eu a estava achando estranhamente vulnerável, e um pouco menos assustadora do que seria na época do livro Sex. Em determinado momento, uma seqüência maluca de todos os vídeos, filmes e eventos da vida dela percorreram espontaneamente minha mente num flash - lembra aquele clip em que ela era ruiva? Qual era mesmo? "Fever", certo! -, e, com um esforço hercúleo, fui me livrando das imagens. Lá se foram mais quatro perguntas. Bom. Bom. Aí, aconteceu: enquanto ela falava, percebi que não conseguia me lembrar da próxima pergunta. Minhas anotações estavam no carro, e quando ela acabou de falar sobre como sua busca espiritual havia influenciado o álbum, estávamos prestes a ficar olhando uma para a outra no mais horripilante silêncio.

"Vai com calma", disse a mim mesma. "Solte umas perguntinhas leves que geralmente você guarda para emergências, quando os entrevistados não param mais de olhar para o relógio." Em geral, se for a primeira vez que as celebridades ouvem tais perguntas, elas gostam de respondê-las, e você consegue evitar a indesejável resposta ensaiada. Ninguém quer responder pela milionésima vez sobre suas influências musicais, ou sobre como o álbum mais novo difere do anterior. Em vez disso: No que você pensa antes de adormecer? Quando você passou a ver seus pais de outra maneira? Que cheiro o faz voltar à infância? O que seus amigos fazem para irritá-lo? Quando foi a última vez que você se sentiu realmente contente?

Eu lancei uma das boas (Qual foi seu pior trabalho na época do colégio?) para ganhar algum tempo até que a outra pergunta voltasse à minha mente. Ela respondeu sem pestanejar que era fazer faxina, que era nojento, tinha de limpar privadas dos garotos que freqüentavam a mesma escola que ela. A partir daí fui levando a entrevista com mais algumas perguntas sobre o álbum. Quando o fim da entrevista começava a despontar, tentei provocar com uma das velhas perguntas que eu e todas as minhas amigas sempre quisemos fazer: Qual foi o último filme que você alugou? (Na época, tinha sido o último filme da série Sexta-Feira, de Ice Cube, porque era a vez de Guy, o marido, escolher.) Você cozinha em casa? Não, mas ajudava Guy, acrescentando "acessórios" nas saladas.

- Acessórios? - pergunto, espantada. - De que tipo, cinto e luvas? - Olha, a Madonna está rindo!

Mudamos o assunto para a gravidez. Ela disse, consternada, que o médico lhe proibira de fazer ginástica, e que não poderia sair, ou usar roupas legais, ou dançar, e ela se sentia uma "vaca domesticada". Eu acenei com a cabeça, demonstrando minha solidariedade, fingindo ser a amiga e confidente, como ela fizera com Sandra Bernhard, em Na Cama com Madonna, quando a atriz dissera que não havia mais ninguém para sair com ela, porque já tinha saído com todo mundo. Inclinei-me e lhe perguntei algo que sempre tive curiosidade de saber: Alguma vez na vida ela já havia se sentido insegura? Ela raramente expressava qualquer tipo de vulnerabilidade.

- Eu me sinto insegura a cada cinco minutos - disparou. - Do que você está falando? - Ela confessou que, na situação de gravidez em que se encontrava, entrava em pânico apenas ao olhar para o espelho.

Eu pressionei, porque queria saber como ela se sentia antes de estar grávida. Digamos, quando encontrava uma foto de uma ex do namorado. Ela fazia comentários maldosos? Ela respondeu que passava por todo um processo:

- Primeiro, eu digo: "Nossa, ela é magra e bonita" - riu. - Em seguida, penso: "Ah, mas eu sou eu".

Que Deus a proteja! Houve uma leve batida na porta. Era a relações-públicas. Eu me lembrei de que havia algo mais que tinha de fazer. Minha amiga Susan, que trabalhava com decoração, tinha me pedido um relatório completo sobre o banheiro da Madonna. Eu não podia decepcioná-la. Além disso, também queria saber como era lá dentro. Dei uma olhada ao redor. Nenhum banheiro. Devia ficar do lado de fora. Outra batida na porta. Era minha deixa.

- Muitíssimo obrigada - respondi, juntando minhas coisas rapidamente e retribuindo o aperto de mão firme da estrela. Seja breve, sorria, não fique tagarelando. E nada de fotos ou autógrafos - você nunca deve pedir essas coisas como cortesia profissional. Pelo menos finja que estão no mesmo nível.

- Posso usar a toalete? - perguntei à assistente, apontando para a porta perto do escritório, onde se lia "WC". Entrei como um furacão e abri a torneira, enquanto fazia um inventário do local. Um vidro de perfume Fracas, anotado. Um tipo de spray facial que você compra na loja de produtos naturais, água com essência de gerânio, da Tree of Life. Algum tipo de leitura? O Livro de Bolso do Hipocondríaco. Huummmm. Interessante. Loção facial La Mer. Anotado, anotado e anotado.

A assistente me esperava para me acompanhar até a recepção.

Caminhei a passos largos, triunfante.

- O que você achou? Ela não é o máximo? - a assistente perguntou.

- O que você achou dela? - perguntou o recepcionista. - Totalmente demais, não é?

- É mesmo - respondi, tentando, sem conseguir, não parecer uma fã inveterada. - Ela é divertida, mas tem um lado doce, também. E não deu respostas programadas, realmente pensou para responder.

- Nesse momento, meus joelhos começaram a tremer. - Posso me sentar um pouco? - perguntei. - Parece que vou desmaiar. - A assistente concordou com a cabeça.

- Acontece às vezes - disse o recepcionista. - Acho que vou pegar uns sais aromáticos e deixar por aqui.

Momentos depois, conforme eu tropeçava em direção ao carro, o ciclo se completava. Tudo sempre terminava comigo na marcha da vitória, com o seguinte pensamento: "Eu tenho o melhor trabalho do mundo".

A euforia durou precisamente o tempo de escrever a matéria. E foi alarmante descobrir que o Calms funcionava perfeitamente com a maioria dos astros, mas não com os cinco estrelas. O motorista me olhou pelo retrovisor e perguntou:

- Prefere monan ou fleen?

Eu fingi que pensava por um momento, e então respondi:

- Vamos tentar o fleen - sem ter a menor idéia do que isso significava.

*

"Chega de Falar de Mim...".
Autora: Jancee Dunn
Editora: Panda Books
Páginas: 296
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 e na Livraria da Folha.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Repórter faz promotor "engolir a fita"

A expressão "engolir a fita" é usada nas situações em que o entrevistado tenta desmentir o jornalista, negando suas afirmações publicadas.
Antes de enviar uma carta à redação do jornal negando o conteúdo publicado, muitos assessores de imprensa confirmam (várias vezes) com o entrevistado "injustiçado" se: 1. o que saiu foi mesmo dito; 2. se a entrevista foi gravada.
É comum o entrevistado mentir para o assessor (não se pode afirmar que é o aconteceu neste caso), por pressão do superior, amigos e colegas de trabalho - sem deixar de lado o esquecimento mesmo. É o famoso "eu jamais diria isso!".
O jornalista, quando é precavido e grava suas entrevistas, tem seu momento de fazer o entrevistado "engolir a fita".

Abaixo, a carta publicada na Folha em 29/10/08

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2910200810.htm

Seqüestro
"É completamente falsa a notícia de que o Gate não teria autorização do governo do Estado ou da Secretaria da Segurança Pública para tomar qualquer decisão durante o seqüestro da menina Eloá ("Governo não autorizou tiro em Lindemberg", Cotidiano). Durante este e outros casos de seqüestro, o Gate dispõe de autonomia para tomar as decisões que considerar mais adequadas a cada momento. É fato que a Secretaria da Segurança se mantém informada sobre as principais ações no âmbito da pasta no Estado, porém as decisões de cada situação local são tomadas pelo oficial que, a cada momento, exerce a função de gerente da crise. Portanto, não tem base a versão de que um suposto "gabinete de crise", do qual esta secretaria e o comando da PM fariam parte, teria negado autorização para realizar um "tiro de neutralização". Tal versão é totalmente equivocada e sem sentido, pois as decisões nessas ações precisam ser tomadas imediatamente diante da oportunidade e conveniência técnica."
ENIO LUCCIOLA , assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (São Paulo, SP)

"Em relação à reportagem "Governo não autorizou tiro em Lindemberg" (Cotidiano, ontem), esclareço que em nenhum momento eu afirmei que os integrantes do Grupo de Ações Táticas Especiais não tinham autorização do "gabinete de crise" e de seus superiores para realizarem o tiro de neutralização contra Lindemberg Fernandes Alves, responsável pelo recente seqüestro em Santo André. Jamais utilizei a expressão "gabinete de crise", referindo-me, na entrevista concedida ao jornal "Agora" e reproduzida pela Folha, sempre a "superiores" ou ao "gerente de crise", no caso o coronel De Pieri, que comandou a operação da Polícia Militar no local. A expressão "gabinete de crise", inclusive, não consta de nenhum trecho do depoimento citado na reportagem. Lamento que o jornal tenha se valido indevidamente de uma expressão não utilizada na entrevista para fazer ilações absolutamente divorciadas da verdade dos fatos."
ANTONIO NOBRE FOLGADO , promotor de Justiça (São Paulo, SP)

Nota da Redação
- Em entrevista gravada, ao ser questionado pela repórter se o gabinete de crise tinha autorizado a invasão, o promotor respondeu: "Não. O tiro dependia de ordem superior; a invasão não".

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Veja entrega fonte que quis plantar notícia

A Revista Veja entregou quem era a fonte de uma reportagem - que acabou se mostrando sem fundamento e não foi publicada.
A "fonte", uma advogada, quis entregar dossiê contra o governador Serra (leia abaixo a reportagem na íntegra) para que a revista publicasse uma reportagem.
O caso lembra o episódio em que a Diogo Mainardi entregou o nome do jornalista e ex-assessor de imprensa Marcelo Netto como fonte do extrato bancário do caseiro Francenildo (http://veja.abril.com.br/290306/mainardi.html).

Abaixo, a reportagem:
http://veja.abril.com.br/291008/p_076.shtml

Brasil
MENSALEIRO E ALOPRADO

Marcos Valério tentou envolver José Serra na farsa que
atingiu a imagem de dois auditores fiscais do governo paulista


Expedito Filho e Alexandre Oltramari

Fotos Paulo Filgueiras/Estado de Minas/PAGOS e Pedro Silveira/O Tempo
EMPREITA DO CRIME Marcos Valério e a advogada Eloá Velloso: sociedade descoberta em operação da Polícia Federal

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o trem pagador do propinoduto petista no escândalo do mensalão, passou as últimas duas semanas atrás das grades. A temporada na cadeia não tem relação aparente com o esquema que o tornou famoso. Valério agora é apontado como o chefe de uma quadrilha, formada por advogados e policiais, que montou uma farsa para desmoralizar funcionários da Secretaria da Fazenda de São Paulo. De acordo com a investigação, que levou Valério e outras dezesseis pessoas para a cadeia, o operador do mensalão corrompeu policiais para abrir um inquérito fraudulento contra dois auditores fiscais que multaram a cervejaria Petrópolis em 105 milhões de reais. O objetivo de Valério com a desmoralização dos auditores seria tornar mais fácil o cancelamento da multa e, certamente, ganhar muito dinheiro com isso. Essa é a parte conhecida da história. Mas há um capítulo ainda inédito da trama: a maquinação, como não poderia deixar de ser, também tinha objetivos políticos. Ela pretendia envolver no escândalo o governador de São Paulo, o tucano José Serra.

A vertente política da empreitada comercial de Marcos Valério está documentada em quatro e-mails enviados pela advogada mineira Eloá Velloso a VEJA, há três meses. Juntamente com o advogado Ildeu Sobrinho, ela foi contratada por Valério para produzir um dossiê contra os auditores, acusando-os de cobrar propina para livrar empresas enroladas com o Fisco. Também coube à dupla corromper delegados da PF para abrir o inquérito forjado e depois divulgar o caso à imprensa. O primeiro objetivo da trama era desmoralizar os auditores. Nos e-mails trocados com VEJA antes de a PF descobrir a trama e prender os advogados juntamente com Valério, Eloá revelou a existência da "investigação", desceu a detalhes como a data dos depoimentos e chegou a enviar cópia das intimações recebidas pelos auditores. Ao citar um dos fiscais, Antonio Carlos de Moura Campos, a emissária de Valério deu a primeira pista sobre o segundo, e talvez o principal, objetivo da gangue: "Fontes do Palácio dos Bandeirantes informam que ele é arrecadador do governo Serra. Fomos informados de que são tucanos e estão desesperados com essa investigação", escreveu Eloá, insinuando que o esquema de corrupção atribuído aos fiscais teria finalidade política. Questionada se o inquérito não poderia ser uma armação, a advogada foi taxativa: "Armação é o que eles (os auditores) estão fazendo". Ou seja: os fiscais, além de corruptos, estariam a serviço do governador de São Paulo.

Com base nas informações repassadas pela advogada, VEJA apurou o caso durante duas semanas. Foram identificadas inconsistências gritantes no inquérito. Uma empresa supostamente de propriedade de um dos auditores investigados na verdade pertencia a um homônimo argentino do fiscal. Um terreno que seria de outro auditor, situado às margens do Rio Tietê, em São Paulo, ficava, na verdade, em Tietê, interior do estado. Ouvidos, os fiscais também negaram qualquer irregularidade. Apesar da existência formal do inquérito, VEJA decidiu não divulgar a investigação por causa de suas inconsistências. "Na condição de alvo da farsa montada por organização criminosa com o objetivo de denegrir minha imagem e a de meu colega Eduardo Fridman, em boa hora desbaratada pela exemplar atividade investigativa desenvolvida pela PF no decorrer da Operação Avalanche, sinto-me no dever de expressar de público meus respeitos pela postura ética assumida por VEJA", escreveu o auditor Antonio Carlos de Moura Campos em e-mail enviado à revista. VEJA só soube que o inquérito era obra de Valério, usando a advogada Eloá como intermediária, depois das prisões.

A tramóia para incriminar os auditores e envolver José Serra no falso escândalo começou a ser desbaratada há três meses. Ao investigarem uma quadrilha de policiais corruptos, o Ministério Público Federal e a PF descobriram que os advogados Ildeu Sobrinho e Eloá Velloso haviam encomendado um dossiê contra os auditores. A dupla, então, passou a ser monitorada por escutas telefônicas, ambientais e interceptação de e-mails. A investigação revelou que eles patrocinaram o inquérito forjado a mando de Valério. Em agosto passado, ao deterem Ildeu Sobrinho com 1 milhão de reais em espécie, os investigadores descobriram que o dinheiro havia sido entregue a ele por Valério e seria usado para pagar os policiais corruptos. O lado oculto da farsa guarda semelhanças com a atuação dos aloprados petistas presos em 2006 tentando comprar um falso dossiê contra Serra às vésperas das eleições. O caso levou ao afastamento do presidente do PT, Ricardo Berzoini, derrubou o coordenador da campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista, Hamilton Lacerda, e atingiu membros da campanha à reeleição do presidente Lula, como o churrasqueiro presidencial Jorge Lorenzetti e o ex-policial Gedimar Passos. "Ainda não sabemos quais foram as motivações de Marcos Valério para envolver o governador José Serra nesse caso", diz um dos investigadores. O mistério pode não ser tão impenetrável assim.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dicas de Kassab para debates

A reportagem da FSP (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2710200818.htm) traz alguns macetes utilizados por Kassab em frente às câmeras para conquistar a simpatia dos eleitores.

Kassab segue à risca manual de marqueteiro

DA REPORTAGEM LOCAL

Gilberto Kassab se comportou como o político dos sonhos de qualquer marqueteiro. Em sua primeira eleição como titular de um cargo majoritário, o novo prefeito de São Paulo acatou a maior parte das orientações de sua equipe de comunicação.
Foi um aluno aplicado de técnicas para melhorar sua imagem. Ensaiou gestos, entonação de voz e até movimento das sobrancelhas.
Aos 48 anos e duas décadas de vida pública, o democrata utilizou pela primeira vez nesta campanha um treinamento intensivo de comunicação, coordenado pelo marqueteiro Luiz Gonzalez.
Esforçado, lia a cada semana uma apostila diferente com dicas para melhorar a imagem. Nas ruas, no horário eleitoral e nos debates, colocou as técnicas em prática, a cada dia mais confortável com a performance.
Por sugestão de Gonzalez, por exemplo, passou a se debruçar nas tribunas dos debates do segundo turno e a olhar fixamente para a câmera. A idéia era estabelecer intimidade com o espectador.
Mesmo quando atacado por Marta Suplicy, evitava olhar para adversária. Outra recomendação acatada: gesticular mais e usar as sobrancelhas ao falar. O candidato, se contido, avaliavam seus assessores, poderia transmitir insegurança. Mais relaxado, expressaria "verdade".
Submetido ao que seus assessores chamaram de "imersão" - com gravações ao menos três vezes por semana -, Kassab reproduziu em público expressões comuns ao vocabulário do próprio Gonzalez. Um exemplo: "Marta está "estressadinha'". (LAURA MATTOS)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A mídia matou Eloá?

Veja o que acha o professor da pós-graduação da PUC-SP Norval Baitello Jr, doutor em distúrbios da imagem, em entrevista à Folha de SP

21 de outubro de 2008


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Mídia exagerou e fez com que criminoso se visse como um herói, afirma professor

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

Passado o cárcere privado, uma pergunta se volta aos próprios meios de comunicação: até que ponto a veiculação de entrevistas ao vivo com o criminoso contribuiu para o desfecho trágico do caso? Para o professor da pós-graduação da PUC-SP Norval Baitello Jr, doutor em distúrbios da imagem e estudioso do assunto há 20 anos, a mídia "exacerbou a psicopatia que estava em jogo" e fez com que o captor se visse como herói. Leia abaixo trechos da entrevista.

FOLHA - Como o senhor analisa o papel desempenhado pela mídia no cárcere privado de Santo André?
NORVAL BAITELLO JR
- Acho que foi bastante equivocado, desde o começo. Mas isso talvez se deva a um equívoco básico, que é o de que a mídia tem de informar a qualquer custo. E esse fetiche da informação coloca qualquer notícia no mesmo patamar.

FOLHA - Até que ponto a veiculação de entrevistas ao vivo e declarações do seqüestrador contribuíram para o desfecho trágico do caso?
BAITELLO JR
- Acredito que esse fetiche da informação a qualquer custo não passa de espetacularização. Se confunde espetacularização com informação porque a espetacularização vende mais do que a notícia.

FOLHA - A mídia realçou os traços emocionais da tragédia?
BAITELLO JR
- A mídia exacerbou a megalomania, a psicopatia e a loucura que estava ali em jogo.

FOLHA - Os repórteres e apresentadores não saíram do seu papel, que é informar, ao negociar e falar diretamente com o criminoso?
BAITELLO JR
- Todo mundo colocou os pés pelas mãos.

FOLHA - Qual o limite para a cobertura dos meios de comunicação?
BAITELLO JR
- Não existe um limite. Os meios de comunicação têm de cuidar também da sua própria imagem. Esse caso foi péssimo para a sustentabilidade dos próprios veículos.

FOLHA - As TVs e os jornais não fizeram uma glamourização da atividade criminosa?
BAITELLO JR
- Uma vez que ele aparece na televisão, passa a se ver como um herói.

FOLHA - A mídia não aprende com seus próprios erros?
BAITELLO JR
- Falta um acordo tácito da própria mídia. À medida em que há uma escalada, em que o concorrente mostra cenas fortes, o jornal é coagido. É preciso estabelecer limites.

FOLHA - Isso parece ser o modelo americano de cobertura.
BAITELLO JR
- O modelo europeu tem sido muito mais cuidadoso. Isso é totalmente americano. Por isso se vê lá uma escalada da violência.

Lançamento de livro sobre assessoria de imprensa

Do Paulo Piratininga, um excelente assessor e empresário.

"Como usar a mídia a seu favor - As melhores práticas para ser notícia"

Dia 12 de novembro

Na livraria Martins Fontes, Av. Paulista 503, a partir das 19h.


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Lugar comum: a economia da Islândia "derreteu"

O efeito estufa chegou aos trocadilhos e marcou presença em todos os jornais do mundo. Faltou criatividade?

The Econonomist:
ONE word on every tongue in Iceland these days is kreppa. Normally it means to be “in a pinch” or “to get into a scrape”, but when it is applied to the economy, it becomes “financial crisis”. In time kreppa may become the word that conjures up the disastrous meltdown that is now taking place in the country’s economy.
http://www.economist.com/finance/displaystory.cfm?story_id=12382011

Folha de SP:
(...) na Islândia, o sistema bancário derreteu e houve ameaça de corrida aos bancos; os Estados Unidos estão a ponto de recorrer ao FMI; o Citibank vai pelo mesmo caminho da Panair, Transbrasil, Vasp, Varig, TWA, Pan Am e Swissair e, em Paris, capital mundial do turismo, de um dia para o outro, os restaurantes ficaram às moscas. Trilhões delas.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1010200804.htm

Estado de SP (colocou até no título):
Economia da Islândia derrete e país teme quebra

Há poucas semanas, o governo da Islândia se reuniu para tratar de uma ameaça ao futuro da ilha: a elevação dos níveis do mar pelo derretimento das calotas polares. Hoje o problema é outro: o derretimento de sua economia. Ontem, o governo anunciou a nacionalização do maior banco do país e fechou a bolsa de valores, provocando a ira dos ingleses, que têm bilhões nos bancos da ilha. Para analistas, o país nórdico se transformou no exemplo mais concreto do que a crise pode fazer com uma das economias mais ricas do mundo, ameaçada até de "falência nacional".
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081010/not_imp257214,0.php

Time (no título):
A Meltdown in Iceland
http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1848379,00.html

Forbes:
Icelandic Meltdown
http://www.forbes.com/2008/06/25/iceland-banking-credit-biz-bizcountries08-cx_pm_0626iceland.html

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Finalmente, o "erramos" da Folha, que causou o mal estar

MUNDO (2.OUT, PÁG. A16) O presidente do Equador, Rafael Correa, não afirmou, como foi publicado, que a Colômbia "tem um governo [Álvaro Uribe] que não consideramos amigo"; disse que a Colômbia tem um governo que "considerávamos amigo".

Íntegra da entrevista com o presidente do Equador

Também somente para assinates da Folha:

São Paulo, quinta-feira, 02 de outubro de 2008




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O texto abaixo contém um Erramos, clique aqui para conferir a correção na versão eletrônica da Folha de S.Paulo.

Carta garantirá governabilidade, diz Rafael Correa

Presidente do Equador afirma que não acumulará poderes e aponta prerrogativa do Congresso de destituir presidente

Equatoriano mantém críticas à Odebrecht e diz que, quanto menos obras a empreiteira brasileira tiver, melhor para o seu país

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

Fortalecido pela vitória no referendo do último domingo que ratificou a nova Constituição do país, o presidente do Equador, Rafael Correa, defendeu a Carta e negou que esteja promovendo um regime "hiperpresidencialista", com acúmulo de poderes. "[A Constituição] vai acabar com a falta de governabilidade de que o país vem sofrendo", disse. Os três presidentes eleitos no Equador antes de Correa não terminaram seus mandatos.
Em entrevista exclusiva à Folha após um dia de reuniões em Manaus com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales (Bolívia) e Hugo Chávez (Venezuela), o economista de 45 anos disse que, embora esteja agora autorizado a dissolver o Congresso, o Legislativo detém a mesma prerrogativa quanto à Presidência. Em ambos os casos, argumentou, novas eleições têm de ser convocadas, no que é chamado de "morte cruzada".
Correa afirmou ainda que não irá "retroceder um passo" na intervenção nas operações da empreiteira brasileira Odebrecht no Equador. Seu governo embargou as operações da empresa no país na semana passada, sob acusação de falhas na construção de uma hidrelétrica: "Quanto menos contratos tiver a Odebrecht, melhor para o país". Leia trechos da entrevista, concedida por Correa ao lado de assessores, membros do governo e técnicos que filmaram a conversa.

FOLHA - O que ocorreu com a Odebrecht no Equador?
RAFAEL CORREA
- A Odebrecht fez uma obra [hidrelétrica San Francisco] com terríveis problemas. Em menos de um ano, uma obra de mais de US$ 300 milhões e que deveria durar mais de 30 anos ter deixado de funcionar é responsabilidade direta da empresa.
Estamos estudando um acordo por iniciativa da empresa [a Odebrecht divulgou nota ontem à tarde dizendo que concordava com as exigências do governo equatoriano]. Parece que ela não entende que há um novo governo no Equador, que não pode ser subornado, pressionado. Não estamos negociando com a empresa, mas exigindo nossos direitos e não vamos retroceder nem um passo.

FOLHA - Como ficará o futuro da Odebrecht no Equador? A empreiteira poderá participar de licitações, como a do projeto Manta-Manaus?
CORREA
- Depois do que temos vivido, quanto menos contratos tiver a Odebrecht, melhor para o país, porque começamos a analisar outros contratos, sempre lesivos ao interesse nacional [...], coisas inauditas que só puderam ser feitas por ousadia da empresa, com cumplicidade de funcionários equatorianos corruptos. A Odebrecht tem que entender que esse velho país acabou em 15 de março de 2007 [data de sua posse].

FOLHA - A Petrobras recentemente devolveu ao Equador o bloco de exploração de petróleo 31, após o sr. aumentar a carga tributária das petroleiras. Essas mudanças não afugentarão investimentos externos?
CORREA
- Qual será o papel do Estado? O que sempre deveria ter sido, de acordo com a Constituição atual e com a aprovada: o petróleo é dos equatorianos, e o que se fez foi um contrato de participação, em que o Estado era um sócio minoritário e sem voz. Estamos renegociando rumo a contratos de prestação de serviços, onde o dono do recurso é o Estado.

FOLHA - Sobre a Constituição, a principal crítica é que ela garantiu superpoderes ao sr., que poderá inclusive dissolver o Congresso. Por que a inclusão desse artigo?
CORREA
- Temo que a sra. tenha má informação. A Constituição não é hiperpresidencialista. Pelo contrário, prevê uma série de controles ao presidente, devolve ao Congresso a atribuição de destituir ministros de Estado.
Há apenas duas atribuições novas [do presidente]: planificação, capacidade que tinha antes da Constituição de 1998 e que foi destruída pelo neoliberalismo, e dissolver o Congresso.
Posso dissolver o Congresso em caso de boicote ao plano de desenvolvimento do país, mas nesse momento tenho que colocar meu cargo à disposição do povo equatoriano. O que não se diz é que o Congresso também pode destituir o presidente em caso de grave comoção interna, mas nesse momento se antecipam as eleições presidenciais e legislativas. Isso é o que se chama de "morte cruzada", um instrumento moderno para promover a governabilidade.
Na história recente do Equador, a todo momento o Congresso destituiu presidentes, declarando-os loucos por conveniência política, porque nada acontecia ao Congresso. Com essa possibilidade de destituir o Congresso uma única vez, se elimina essa fonte de boicote, e acabará a falta de governabilidade de que o país vem sofrendo nos últimos anos.

FOLHA - E quais são os planos do sr. sobre uma futura reeleição, que lhe permitiria ficar no poder até 2017?
CORREA
- Não penso nisso. Isso será uma decisão do partido ao qual pertenço.

FOLHA - Está superada pelo seu governo a questão com o governo da Colômbia [que em março invadiu o território equatoriano para atacar uma base das Farc]?
CORREA
- De nenhuma maneira. Nossas relações estão cortadas porque, entre outras coisas, a Colômbia tem informações de gravações do bombardeio e nada nos informou. Esse caso nunca será superado porque há uma clara agressão deliberada e desleal ao território equatoriano por parte de um país que consideramos irmão, porém tem um governo [Álvaro Uribe] que não consideramos amigo.
Temos que seguir com dignidade e isso implica, entre outras coisas, que a Colômbia entregue todas as informações de como se realizou esse ataque e que compense ao menos a vítima equatoriana desse ataque.

FOLHA - O presidente Lula disse que está tranqüilo com a crise nos EUA, mas a vê com apreensão. A crise atingirá o Equador?
CORREA
- O efeito efeito dependerá da resposta que os EUA derem à crise. Em todo caso, a América Latina tem que se preparar para não depender do que acontece nos EUA.


Colaborou FABIANO MAISONNAVE

Leia a íntegra da entrevista www.folha.com.br/082752

Folha erra e tensiona relações entre Equador e Colômbia

O texto é aberto apenas aos assinates do Comunique-se. Reproduzo abaixo a íntegra para facilitar.

Folha erra e tensiona relações entre Equador e Colômbia

Carla Soares Martin, de São Paulo

O jornal Folha de S.Paulo equivocou-se numa entrevista (para assinantes) com o presidente do Equador, Rafael Correa. Ao transcrever um diálogo com o presidente, informou erroneamente que Correa dizia que a Colômbia é um “governo que não considerávamos amigos”, em resposta a uma pergunta sobre o abalo nas relações entre os dois países desde que, em março, a Colômbia entrou em território equatoriano para atacar uma base das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Como explica uma nota (para assinantes) na Folha desta segunda (06/10), foi colocado um “não” que não fora dito por Correa. “Na entrevista, quando questionado se considerava superada a crise com a Colômbia, após o ataque colombiano a uma base das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador, em 1º de março, Correa disse, segundo seus assessores: ‘(...) houve uma clara agressão deliberada, desleal ao território equatoriano não por parte de um país que consideramos irmão, mas de um governo que considerávamos amigo’. No texto publicado pela Folha foi incluído um ‘não’ que mudou o sentido da frase: ‘Esse caso nunca será superado porque há uma clara agressão deliberada e desleal ao território equatoriano por parte de um país que consideramos irmão, porém tem um governo que não consideramos amigo’”, disse a Folha.

O jornal justificou o erro por uma dificuldade de se entender a fala de Correa. A Folha também disse que omitiu uma parte da entrevista, em que o presidente equatoriano afirma que: “‘em todo caso, temos que olhar para a frente e seguir’, dando a entender que poderia haver acordo com Bogotá” (transcrição da Folha).

Mal-estar
O fato é que a entrevista com Correa intensificou o mal-estar entre os dois países. Na sexta-feira (03/10), dia seguinte à publicação da entrevista, a Embaixada da Colômbia postou um comunicado no site no qual recua da decisão de ir à reunião de cúpula da Comunidade Andina das Nações (CAN), que acontece em 14/10, por causa da declaração de Correa “aos meios de comunicação”, sem deixar claro que era devido à entrevista com a Folha de S.Paulo.

Em 04/10, sábado, surgiria a resposta do governo equatoriano, em outro comunicado. O Ministério das Relações Exteriores corrige a declaração da Folha, sem citar que havia sido dada ao jornal, e sim a um “meio de comunicação do Brasil”. Diz ainda que a entrevista foi utilizada por Uribe como “pretexto” para a Colômbia deixar de participar do encontro andino.

Nesta segunda (06/10), em contato com as embaixadas de ambos os países, o governo colombiano informou que não tem novidades acerca da questão. Não disse se, mesmo com o esclarecimento da Folha, vai voltar atrás da decisão de não ir à reunião da CAN.

A embaixada do Equador confirmou que as relações entre os países ficaram “afetadas” com a declaração da Folha e informou que aguarda uma decisão do presidente Uribe em torno do assunto.

Editora de Mundo
A editora de Mundo da Folha, Claudia Antunes, informa que o jornal “não tem problema em fazer correções”. Disse ainda que ficou sabendo do erro por meio das agências de notícias internacionais, que reproduziram o que o presidente equatoriano disse em seu programa de rádio e TV no sábado (04/10). “Como ele não explicitava que erro tinha sido cometido, busquei informações no site do Ministério das Relações Exteriores do Equador. Lá, havia a nota que esclarecia o trecho da entrevista que estava transcrito errado. E o jornal tomou a iniciativa de fazer a correção – em duas notas, uma no domingo e outra hoje”, disse a editora.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Globo demite repórter que ‘derrubou’ avião

Folha de SP, 5 de junho - Daniel Castro

Globo demite repórter que ‘derrubou’ avião

A TV Globo demitiu anteontem o jornalista que teria sido responsável pela divulgação, pelo canal Globo News, da falsa notícia de que um avião da empresa Pantanal havia se chocado contra um prédio na zona sul de São Paulo, na rota de pouso do aeroporto de Congonhas, no último dia 20.
A "barriga" (jargão jornalístico para falsa notícia) foi reproduzida por outras TVs, rádios e sites do Brasil e do exterior. Foi corrigida cinco minutos depois, quando já havia repercutido até no Congresso Nacional. Era apenas um incêndio em uma loja de colchões.
O jornalista demitido tinha o cargo de produtor (repórter que não aparece no vídeo), mas era um "faz-tudo": apurava, escrevia as cabeças (texto lido pelo apresentador) e editava. Atuava como um editor-chefe informal em São Paulo do "Jornal das Dez", principal telejornal da Globo News.
Na tarde do dia 20, ele estava extra-oficialmente chefiando a Redação da Globo News em São Paulo. Ele teria recebido a "informação" da rádio-escuta (setor que faz a primeira apuração com fontes oficiais, como bombeiros e polícia) e a passou para a Redação do Rio de Janeiro, sede do canal, que a colocou no ar. A falsa informação teria sido passada pela Defesa Civil.
Procurada, a Globo se limitou a dizer que "tomou as medidas que julgou necessárias e que dizem respeito aos seus procedimentos internos".