A reportagem do Diógenes Campanha, da equipe da Mônica Bergamo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2012200907.htm), começa tratando de assistentes pessoais de artidas, mas aborda também a dura vida dos assessores de imprensa dos famosos. Algumas dicas valem ouro:
Babá de famoso
Letícia Moreira/Folha Imagem
Patricia Spínola no curso de assessoria: ‘Artistas têm mania de dizer que não disseram’
Guardar o sapato da celebridade, carregar a sua mala e chegar no aeroporto oito horas antes para providenciar o seu embarque. São algumas das lições ensinadas em cursos de assistente de famosos
Paulo Vieira, 34, entra na sala de reuniões de seu escritório, na Consolação, e, diante de cinco alunos que o aguardam, escreve a palavra "Ego" em uma lousa branca. Assessor de imprensa da apresentadora Luciana Gimenez, ele começou, neste ano, a dar um curso para ensinar as pessoas a serem "assistentes de celebridades": alguém com a função de "olhar tudo" para o famoso e com atribuições que incluem conferir a data de vencimento do passaporte e a validade da bateria da câmera digital do chefe.
Não muito longe dali, Patrícia Spínola, 36, que trabalhou com Chitãozinho e Xororó por dez anos e tem no currículo outros cantores e duplas sertanejas de sucesso, reúne seus 20 alunos em uma sala comercial alugada no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, para um curso de "assessoria de comunicação para artistas da música".
Um produto bastante específico, que ela diz ter formatado depois de constatar a falta de opções nas universidades. "Parece que a gente mora na França. A USP é um universo paralelo total. Só agora a Faculdade de Música, por exemplo, aceitou alguns instrumentos, como viola caipira. Eles acham que cultura é trabalhar com biblioteca e museu. O que a gente faz também é cultura."
Em comum entre os dois cursos, as "receitas"de como conviver e administrar as demandas de pessoas conhecidas e assediadas no país inteiro.
A primeira lição de Paulo Vieira é que o assistente tem que "reconhecer o próprio ego. Às vezes, o problema não está na celebridade, mas na percepção que você tem dela. Ela é uma pessoa visada e você acha mais fácil dizer que ela é o cão".
Ele escreve na lousa o nome de uma celebridade fictícia, "Morena Luz", que "pode ser atriz, cantora ou presidente de multinacional"- Luciana Gimenez nunca é citada por ele em aula.
"A Morena Luz chega em casa, tira os sapatos assim [faz o movimento de jogá-los com as mãos] e fala: 'Pega meus sapatos e guarda'. O que você faz?" "Eu digo que não sou empregado", responde o aluno Eduardo Cardoso, 24, formado em secretariado.
"Não é ela que está te colocando de empregadinha. É o seu ego. Custa pegar o sapato e guardar?", corrige Paulo. O mesmo vale para quando o famoso mandar você carregar a mala dele no aeroporto. "Você não é carregador, mas é a terceira mão dele. Custa ajudar?"
O curso, de seis meses, custa R$2.000 e inclui aulas práticas no aeroporto de Cumbica,onde Paulo leva os alunos às salas Vips das companhias aéreas e ensina que assistente bom é aquele que chega ao local oito -sim, oito-horas antes do embarque, para agilizar o check-in do chefe-celebridade.
"Se der problema com a validade do passaporte ou do visto dela, você pode tentar solucionar no posto da Polícia Federal", explica. "Se não tiver jeito,você liga e fala para ela nem sair de casa. Imagine que a 'Morena Luz' passou o dia gravando na Record e corre até o aeroporto para ser barrada no check-in. Eu demitiria quem me deixasse numa situação dessas."
Mas pecado mortal mesmo é sair contando a intimidade do patrão. "Nem precisa voltar no Dia seguinte", diz Luciana Gimenez, que incluiu cláusula de confidencialidade nos contratos dos dois profissionais que a acompanham. "O assistente não fala, não ouve e não vê", diz Paulo, citando os três macaquinhos que tapam a boca, os olhos e os ouvidos com as mãos-ele coleciona bonequinhos dos símios e tem até um porta-retrato em que ele mesmo aparece "interpretando" a cena.
Já no curso de assessoria de imprensa de Patrícia Spínola, a preocupação é evitar que o próprio famoso fale demais. Ela conta que, logo depois que um cantor, seu cliente, se separou da mulher, a repórter de uma revista de celebridades viajou com a dupla da qual ele faz parte para uma reportagem.
"Você almoça junto, convive, vai ganhando a confiança. De repente, depois do jantar, a fofa estava do lado do fofo e ele disse: 'Agora eu sou fiel'. Chamei ele de lado: 'Ô, seu louco, você acha que ela é sua amiguinha?'." Patrícia reclama que os artistas abrem a boca e, depois, "têm mania de dizer que não disseram o que disseram".
Missão mais espinhosa-e citada na aula sobre "Gerenciamento de Crise"-foi preparar a estratégia quando um a mulher foi para a televisão, em 2000, para dizer que tinha uma filha de Xororó - a menina seria"a cara da Sandy". Patrícia diz ter sido surpreendida pelo caso. "O Xororó é a pessoa mais fiel que eu conheço. Ele termina um show no Tocantins, de madrugada, e pede um avião para voltar para a sua casa, em Campinas [SP]." Como advogado do lado e laudos indicando que "ele é vasectomizado desde que o Junior nasceu", ela convocou uma coletiva, em vez de "levá-lo a um monte de programinhas da tarde". Escolheu um só, o de Jô Soares. "Conversei com a produção e eles disseram que não seria falado nada sobre isso, não era a linha do programa."
Assessora de Roberto Carlos desde 1978, Ivone Kassu acredita que "consegui preservar a vida dele integralmente, não é verdade? Ele nunca saiu da mídia e eu fiz um trabalho digno". Não que não tenha havido crises. Kassu lembra um episódio recente: a disputa judicial para proibir o livro "Roberto Carlos em Detalhes", em 2007. "A melhor coisa foi ficar quieta. Quanto mais falássemos, mais venderia o livro." A obra acabou proibida e recolhida.
Nem sempre as celebridades respeitam a "lei do silêncio". "Trabalhei com Susana Vieira quando ela voltou com o namorado, esse policial", diz Kassu, referindo-se ao então marido da atriz, Marcelo Silva. Ele havia sido detido, em dezembro de 2006, por depredar um motel. "A imprensa toda estava em cima e eu tinha que administrar. Mas não adiantou, porque a Susana quis expor mesmo."
Ivone Kassu está na "grade curricular" do curso de Patricia: ela é tema de um texto, exibido em slides de Power Point, em que é apresentada como precursora da assessoria de músicos. "Quando comecei, existia o pessoal que trabalhava em gravadora, que cuidava do contato com as rádios, mas assessoria do artista, de cuidar dele, não tinha", confirma Kassu, que,nadécadade70, inaugurou a função no "staff" de Chico Buarque, Chico Anysio, Bethânia, Simone e Gal Costa.
A diferença entre a atuação das gravadoras e o trabalho dos assessores ainda confunde alguns artistas, diz Patricia. "Eles estão tão acostumados a pagar para tocar em rádio e aparecer na TV que acham que tudo se resolve com dinheiro. A primeira coisa que fazemos é ensinar que matéria jornalística não é matéria paga. As duplas sertanejas normalmente têm investidores que já chegam pensando que podem comprar tudo. O assessor inexperiente entra nessa conversa." Alguns dos alunos de Patrícia conhecem essa estrutura. A estudante de relações públicas Luciana Dias, por exemplo, é o que se pode chamar de "fã profissional" da dupla Edson & Hudson: uma espécie de assessora que faz contato com fã-clube se participa de um esquema para que as fãs peçam as músicas no rádio. "Preciso encher plateia. E, em rádio, preciso ter pedidos reais.Por mais que paguem para tocar, a canção sai do ar se não tiver pedidos reais."As fãs recebem ajuda de custo para bancar os telefonemas.
Entre os alunos de Paulo Vieira está Marcela Camargo, 22, que gostaria de trabalhar para Patrícia Poeta, do "Fantástico". "É um exemplo de mulher moderna: bonita, inteligente, tem família, se veste bem e faz sucesso." Gláucia Mota, 22, sonha com Luciano Huck e Angélica, "um exemplinho, fofíssimos". Gláucia foi contratada por Paulo para trabalhar em seu escritório de assessoria.Já Eduardo Cardoso, que não queria ser tratado como "empregado" por famosos, foi dispensado no meio do curso. Paulo achou que ele "não tinha o perfil adequado" para a profissão.
Reportagem DIÓGENES CAMPANHA
domingo, 20 de dezembro de 2009
assessoria de imprensa de artistas e músicos
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Kiyomori André Galvão Mori
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sábado, 2 de maio de 2009
Plágio na Veja?
É o que afirma reportagem do Comunique-se. Abaixo.
PS: apesar de condenável, acho que a reportagem do Comunique-se pegou um pouco pesado nas "aspas" da reporter da Veja. Foram literais demais. Poderiam ter editado para não ficar parecendo que a reporter não sabe nem falar direito.
http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D51895%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D2037709881%26fnt%3Dfntnl
Veja copia partes de matéria do Wall Street Journal sem citar fonte
Da Redação
A reportagem de capa da edição de 22/04 da revista Veja traz uma matéria coordenada muito parecida com um artigo, publicado quase um mês antes, pelo jornal americano The Wall Street Journal (WSJ). Tanto a estrutura como trechos do texto são idênticos. Questionada pelo Comunique-se, a repórter Gabriela Carelli negou a ocorrência de plágio.
“A gente falou com os pesquisadores, a gente fez a nossa própria apuração. A notícia é a mesma, a pesquisa é a mesma. Podem ter ficado parecidas. Foram três meses fazendo a matéria, ouvi 50 mil fontes, o box foi fechado de última hora. Não houve a intenção de fazer mal a ninguém”, explica.
A matéria em questão foi publicada num box com o título de “Genes no combate ao crime”. Ela trata da utilização de traços genéticos na elucidação de crimes, mesmo tema do artigo “Descrevendo um ladrão: genes traçam aparência de suspeitos”, publicado pelo WSJ em 27/03.
As similaridades foram percebidas pelo leitor Edgar Zanella Alvarenga, que publicou num blog uma troca de e-mails com a Veja. Nas mensagens, a revista dá a mesma explicação que foi dada ao Comunique-se, de que as informações estão disponíveis no site da universidade.
Dentre os trechos “parecidos”, existe uma declaração que, no texto da Veja, aparentemente teria sido dada pela pesquisadora da Universidade da Pensilvânia Pamela Sankar.
“‘Há uma perigosa tendência a fazer correlações entre etnia, crime e predisposição genética’, alerta Pamela Sankar”, diz a matéria da Veja.
Fonte nega ter sido procurada
Questionada pelo Comunique-se, a pesquisadora negou ter sido procurada pela Veja. Ela afirma que as informações publicadas pela revista foram baseadas em entrevista dada a um repórter do WSJ. No jornal americano existe a seguinte passagem: “Algumas pessoas podem fazer correlações entre raça, crime e disposição genética”.
Além da não citação da fonte, a reportagem da Veja traz um erro. No jornal americano essa declaração foi atribuída ao pesquisador da Universidade de Tilburg, na Holanda, Bert-Jaap Koops.
A repórter da Veja reconhece não ter procurado a pesquisadora e, como justificativa, diz que tal procedimento é usual na revista.
“Fulano fala tal coisa, eu não tô dizendo que ele disse a mim. Quando fala pra gente, a gente coloca: disse à Veja. Às vezes a gente pode pegar, isso não é um plágio”, explica.
Apijor: "moralmente condenável"
Para o diretor da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais (Apijor) Frederico Ghedini, a determinação do que é ou não plágio no jornalismo é subjetiva. Diferente de outras manifestações, como a música, onde a cópia é definida pelo número de compassos iguais em sequência, o texto jornalístico depende da intenção de quem copia.
“No texto não tem esse tamanho. Mas mesmo que você não classifique, dá para saber quando é feito com a intenção de enganar o leitor, de se fazer passar pelo que você não é. Agora, mesmo que não configure crime de direito autoral, é moralmente condenável utilizar qualquer citação sem informar a fonte”, explica.
Seguem algumas passagens parecidas das duas matérias (os textos do WSJ estão em inglês para evitar possíveis desvios de tradução):
WSJ: “In 2004, police caught a Louisiana serial killer who eyewitnesses had suggested was white, but whose crime-scene DNA suggested -- correctly -- that he was black”.
Veja: “Pelos relatos de testemunhas, ele seria branco. No entanto, as amostras de DNA coletadas pelos investigadores diziam – corretamente – que era negro”.
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WSJ: “They have found six genes that seem to influence such traits. (…) Prof. Shriver hopes to create a modern-day version of the police artist sketch”.
Veja: “Os pesquisadores encontraram seis genes relacionados às feições que podem ajudar a elaborar os retratos falados de criminosos”.
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WSJ: “In 2007, a DNA test based on 34 genetic biomarkers developed by Christopher Phillips, a forensic geneticist at the University of Santiago de Compostelo in Spain, indicated that one of the suspects associated with the Madrid bombings was of North African origin. His body was mostly destroyed in an explosion. Using other clues, police later confirmed he had been an Algerian, thereby validating the test results”.
Veja: “Há dois anos, a polícia espanhola usou a mesma tecnologia para encontrar o suspeito dos atentados terroristas que destruíram uma estação de trem em Madri, em 2004. O teste genético feito nas amostras de DNA indicou que um dos participantes seria natural do norte da África. Outras provas validaram o resultado: ele era argelino”.
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Kiyomori André Galvão Mori
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15:32
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sexta-feira, 13 de março de 2009
As principais capas do mundo
Para quem quer saber o que diz a edição do dia do NYT, Washington Post etc: http://rayogram.com/news/
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Kiyomori André Galvão Mori
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13:37
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
O furo que virou barriga
A reportagem sobre Paula Oliveira, a advogada "atacada" por skinheads, era até pouco tempo atrás um furo do Noblat. No Comunique-se, ele explicou como o furo virou barriga (notícia falsa).
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Kiyomori André Galvão Mori
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